Esta
semana eu fui pra um "bate papo" na escola das crianças sobre alimentação
infantil, uma das iniciativas que a escola vem promovendo para conscientização
dos pais a respeito do assunto.
Dra.
Jocete Fontes, a homeopata que conduziu o encontro, conseguiu prender minha atenção
desde o primeiro minuto, ao anunciar que não faria uma “palestra” convencional,
porque nem ela se considerava convencional. Ela não estava ali para
ensinar ou descrever o teor calórico ou de gordura dos alimentos, mas para
promover uma reflexão sobre a questão da alimentação dos filhos (e de toda a
família). E o fez trazendo elementos interessantes, que se distanciam um pouco da medicina
tradicional e alopática e valorizam um aspecto mais humanista, permeado de
atenção e afeto, em torno da saúde alimentar.
Naquele
momento inicial, eu já senti que valeria a pena. Não seria, de fato, uma
palestra tradicional, cartesiana e óbvia. Efetivamente não foi.
A
fala de Dra. Jocete foi permeada de momentos impactantes, com intervenção
ativa dos pais. Apesar de ler
muita coisa sobre o universo da infância, o que inclui aspectos relativos à
alimentação e ao consumismo, eu me surpreendi com algumas colocações.
Dentro
do excepcional relato que ela fez sobre o contexto histórico da alimentação,
veio a notícia de que nos anos 50, quando a Nestlé entrou na indústria alimentícia, o índice de mortalidade infantil aumentou muito. O leite artificial era
vendido como o melhor alimento que se poderia dar a um filho e começou aí um
retrocesso na amamentação exclusiva. As famílias pobres, que não tinham
condições de comprar latas e mais latas de leite, utilizavam menos colheradas do
pó para a quantidade de água exigida na embalagem, trazendo, em consequência, um cenário de alimentação precária e de desnutrição de muitas
crianças. Ou seja, o leite materno já não atendia. Leite bom era o artificial.
Uma tristeza, e, sem dúvida, até hoje sentimos os reflexos disso. Há um trabalho hercúleo para “desconstruir”
essa supervalorização do leite artificial e priorizar o que realmente é natural
e mais saudável: o leite da própria mãe.
Outro
ponto levantado foi a relação da comida com o afeto. Uma relação que
é construída quando preparamos um alimento, quando compartilharmos esse
alimento à mesa, quando reproduzimos comidas de nossos ancestrais etc. Penso que somos condutores dessa relação, dessas escolhas, na
medida em que somos nós que selecionamos o que nossos filhos irão comer desde
que nascem, somos nós que disponibilizamos em casa o que eles vão experimentar.
Então, não há dúvidas de que essa condução deve ser responsável e cuidadosa.
Nesse
contexto, foi levantada uma metáfora bem interessante e que reforça algo que é
evidente, mas que nem sempre enxergamos. Os alimentos industrializados, embalados etc. são alimentos
"mortos", sem vida. Precisam de corantes para ganhar cor. E uma cor bonita,
atraente aos olhos. Esses alimentos, para não estragarem facilmente, precisam
de conservantes, e para ficarem “mais saborosos”, recebem sal ou açúcar
demasiadamente. Só que os melhores alimentos são os VIVOS, aqueles que nascem
da terra, aqueles que a natureza produz. A verdade é que estamos comendo muitos
alimentos mortos por aí.
A
relação entre o consumo exagerado de alimentos "mortos" e as doenças do mundo
moderno é direta. Por exemplo, o índice de crianças com leucemia aumentou
vertiginosamente e já existem pesquisas que comprovam que o consumo de
alimentos inadequados, principalmente aqueles ricos em corantes e conservantes,
é um dos fatores que justificam esse aumento.
Ao
final do encontro, assistimos à parte do documentário “Muito Além do Peso”.
Para mim, que assistia pela segunda vez, e considerando
todas as informações que havia colhido na palestra, as cenas se revelaram ainda
mais aterrorizantes e saí de lá com o compromisso pessoal de assistir ao
documentário junto com as crianças.
Se
eu já era atenta com a alimentação dos meus filhos, depois desse encontro vou
ficar ainda mais. Foi fácil constatar que tenho alguns pontos a melhorar.
Mudar
a alimentação da família, fazer boas escolhas, adquirir o hábito de se
alimentar melhor não é fácil. Os fatores externos são incisivos, a massificação
da propaganda, o incentivo ao consumismo, as embalagens que encantam, as
interferências da própria família e o fato de pensarmos, normalmente, apenas no
presente. Não pensamos nas consequências que surgirão lá na frente. E é preciso
pensar no futuro sim, na saúde presente e futura dos nossos filhos. Estamos
plantando as bases para uma geração mais saudável.
O
consumismo quer impor as escolhas dele, quando esquecemos de que quem deve
escolher somos nós. E como disse Dra. Jocete, a questão da alimentação infantil
é só a ponta de um iceberg gigantesco.
O que vou continuar fazendo aqui em casa: priorizar sucos naturais, frutas, verduras e legumes. Suco de caixas, biscoitos com alto teor de sódio, biscoito recheados, salgadinhos, wafers etc. somente serão consumidos em situações excepcionalíssimas, nunca como opção natural. Continuarão fora da lista do mercado. Já estamos substituindo também o pão da noite por sopa ou cuscuz de milho.
O que vou mudar: aumentar a ingestão de produtos integrais (a exemplo de pães e biscoitos) e oleaginosas (nozes, castanhas, avelãs etc.), substituir iogurtes com corantes e conservantes (que as crianças tomam uma ou duas vezes por semana) por iogurtes mais naturais e substituir o requeijão cremoso light por queijo natural, feito em casa pelo maridão. Queijo amarelo já não compramos em casa há mais de um ano.
E deixemos o brigadeiro, os docinhos, salgadinhos etc. para os aniversários, com limitação de quantidade, até porque sempre faço questão de que as crianças tomem café em casa antes de ir para as festinhas. É uma maneira de garantir um alimentação mais saudável e restringir naturalmente o consumo de doces e salgadinhos na festa.
É isso queridos, um ótimo final de semana!