mãe, tô com pena de você...

Preciso registrar. Hoje, quando fui colocar as crianças pra dormir, depois de apagar todas as luzes da casa, a cena foi a seguinte:

Alice, vendo o meu estado de mãe descabelada e com olheiras de quem levou um murro em cada olho, foi logo dizendo:

- Mãe, eu tô com pena de você. Muita pena.

- Ô, filha, por quê?

- Porque a gente tá te dando muito trabalho. Você tá tão cansada... Ai mãe, que pena de você!!!

 - Meu amor, não precisa ter pena de mim. Eu já vou descansar.

Carol arremata:

- Mãe, eu também tô com muuuuiiita pena de você.  Pode ir dormir que eu vou acalmar João. Vá, vá dormir.

- Não filha, depois eu durmo.

Alice, então, volta a falar, choramingando:

- Mãe, eu quero salvar você, eu preciso salvar você!

- Como assim Li, me salvar de quê??

- Dessa “arruinaça”.

(Ou seja, sou uma mãe arruinada).

***

Acalmados os ânimos, Alice me diz:

- Mãe, não consigo dormir.  Fico pensando em várias coisas, não consigo parar de pensar.

- Tá pensando em quê, meu anjo?

- No aniversário das bonecas, no aniversário de minha colega...São tantas coisas...

Cinco minutos depois...

- Mãe, quero lhe contar um segredo.

- Conte.

- Meu segredo é que eu não sei dormir.

***

Bom, depois dessa preciso dormir. Mas antes vou ali arrumar meu cabelo e fazer uma máscara de pepino para minhas olheiras.

crônica do desfralde

O troninho sempre foi brinquedo. Olhava, puxava, abria, fechava. Jogava pra lá, jogava pra cá. Fizemos ritual de dar tchau para o cocô, brincamos com o barulho da descarga e compramos livrinhos com ilustrações "xixizísticas e cocozísticas". Conversamos, ensinamos, ponderamos, conduzimos, avançamos e retrocedemos algumas vezes. Limpamos cocô e xixi pela casa, lavamos cuecas melequentas e assistimos João nem se incomodar com a meleira, poucas vezes fazendo questão de avisar que estava sujo.
 
Durante esse percurso, trilhado com muita paciência, diálogo e abraços, construímos a certeza de que, como em tantos outros aspectos da vida, cada um tem o seu tempo, o seu processo de amadurecimento e autoconhecimento. A expectativa quem cria somos nós, pais, testados o tempo todo pela presença dos paradigmas, como se estes fossem irretocáveis, absolutos.

Sabíamos que o tempo dele chegaria. E chegou, trazendo um pequeno ser mais independente, que agora pede com firmeza para ir ao banheiro.

Aos três anos e meio, João deixou as fraldas.

E aí voltei hoje ao livro de Laura Gutman ("A Maternidade e o encontro com sua própria sombra") e me lembrei do que ela diz a respeito do desfralde, dentre tantas observações interessantes:

"Não se aprende a controlar os esfíncteres por repetição, como acontece quando se trata de ler e escrever. A criança adquire o controle naturalmente, quando está pronta, assim como aprende a nadar e a usar a linguagem verbal.". 

(...)

"Acompanhar nossos filhos é aceitar os processos de amadurecimento e crescimento.".

(...)

"Deixemos as crianças crescerem em paz. Um dia, quando o momento adequado chegar, controlarão seus esfíncteres, assim como um dia conseguiram se arrastar, engatinhar, caminhar, pular e movimentar habilmente suas mãos. Não há nada a mudar - a não ser a noss própria visão.".

Enfim, estamos todos felizes.

um encontro sobre alimentação infantil



Esta semana eu fui pra um "bate papo" na escola das crianças sobre alimentação infantil, uma das iniciativas que a escola vem promovendo para conscientização dos pais a respeito do assunto.

Dra. Jocete Fontes, a homeopata que conduziu o encontro, conseguiu prender minha atenção desde o primeiro minuto, ao anunciar que não faria uma “palestra” convencional, porque nem ela se considerava convencional. Ela não estava ali para ensinar ou descrever o teor calórico ou de gordura dos alimentos, mas para promover uma reflexão sobre a questão da alimentação dos filhos (e de toda a família). E o fez trazendo elementos interessantes, que se distanciam um pouco da medicina tradicional e alopática e valorizam um aspecto mais humanista, permeado de atenção e afeto, em torno da saúde alimentar.

Naquele momento inicial, eu já senti que valeria a pena. Não seria, de fato, uma palestra tradicional, cartesiana e óbvia. Efetivamente não foi.

A fala de Dra. Jocete foi permeada de momentos impactantes, com intervenção ativa dos pais. Apesar de ler muita coisa sobre o universo da infância, o que inclui aspectos relativos à alimentação e ao consumismo, eu me surpreendi com algumas colocações.

Dentro do excepcional relato que ela fez sobre o contexto histórico da alimentação, veio a notícia de que nos anos 50, quando a Nestlé entrou na indústria alimentícia, o índice de mortalidade infantil aumentou muito. O leite artificial era vendido como o melhor alimento que se poderia dar a um filho e começou aí um retrocesso na amamentação exclusiva. As famílias pobres, que não tinham condições de comprar latas e mais latas de leite, utilizavam menos colheradas do pó para a quantidade de água exigida na embalagem, trazendo, em consequência, um cenário de alimentação precária e de desnutrição de muitas crianças. Ou seja, o leite materno já não atendia. Leite bom era o artificial. Uma tristeza, e, sem dúvida, até hoje sentimos os reflexos disso.  Há um trabalho hercúleo para “desconstruir” essa supervalorização do leite artificial e priorizar o que realmente é natural e mais saudável: o leite da própria mãe.

Outro ponto levantado foi a relação da comida com o afeto. Uma relação que é construída quando preparamos um alimento, quando compartilharmos esse alimento à mesa, quando reproduzimos comidas de nossos ancestrais etc. Penso que somos condutores dessa relação, dessas escolhas, na medida em que somos nós que selecionamos o que nossos filhos irão comer desde que nascem, somos nós que disponibilizamos em casa o que eles vão experimentar. Então, não há dúvidas de que essa condução deve ser responsável e cuidadosa.

Nesse contexto, foi levantada uma metáfora bem interessante e que reforça algo que é evidente, mas que nem sempre enxergamos. Os alimentos industrializados, embalados etc. são alimentos "mortos", sem vida. Precisam de corantes para ganhar cor. E uma cor bonita, atraente aos olhos. Esses alimentos, para não estragarem facilmente, precisam de conservantes, e para ficarem “mais saborosos”, recebem sal ou açúcar demasiadamente. Só que os melhores alimentos são os VIVOS, aqueles que nascem da terra, aqueles que a natureza produz. A verdade é que estamos comendo muitos alimentos mortos por aí.

A relação entre o consumo exagerado de alimentos "mortos" e as doenças do mundo moderno é direta. Por exemplo, o índice de crianças com leucemia aumentou vertiginosamente e já existem pesquisas que comprovam que o consumo de alimentos inadequados, principalmente aqueles ricos em corantes e conservantes, é um dos fatores que justificam esse aumento.

Ao final do encontro, assistimos à parte do documentário “Muito Além do Peso”. Para mim, que assistia pela segunda vez, e considerando todas as informações que havia colhido na palestra, as cenas se revelaram ainda mais aterrorizantes e saí de lá com o compromisso pessoal de assistir ao documentário junto com as crianças.

Se eu já era atenta com a alimentação dos meus filhos, depois desse encontro vou ficar ainda mais. Foi fácil constatar que tenho alguns pontos a melhorar.

Mudar a alimentação da família, fazer boas escolhas, adquirir o hábito de se alimentar melhor não é fácil. Os fatores externos são incisivos, a massificação da propaganda, o incentivo ao consumismo, as embalagens que encantam, as interferências da própria família e o fato de pensarmos, normalmente, apenas no presente. Não pensamos nas consequências que surgirão lá na frente. E é preciso pensar no futuro sim, na saúde presente e futura dos nossos filhos. Estamos plantando as bases para uma geração mais saudável.

O consumismo quer impor as escolhas dele, quando esquecemos de que quem deve escolher somos nós. E como disse Dra. Jocete, a questão da alimentação infantil é só a ponta de um iceberg gigantesco.

O que vou continuar fazendo aqui em casa: priorizar sucos naturais, frutas, verduras e legumes. Suco de caixas, biscoitos com alto teor de sódio, biscoito recheados, salgadinhos, wafers etc. somente serão consumidos em situações excepcionalíssimas, nunca como opção natural. Continuarão fora da lista do mercado. Já estamos substituindo também o pão da noite por sopa ou cuscuz de milho.

O que vou mudar: aumentar a ingestão de produtos integrais (a exemplo de pães e biscoitos) e oleaginosas (nozes, castanhas, avelãs etc.), substituir iogurtes com corantes e conservantes (que as crianças tomam uma ou duas vezes por semana) por iogurtes mais naturais e substituir o requeijão cremoso light por queijo natural, feito em casa pelo maridão. Queijo amarelo já não compramos em casa há mais de um ano.

E deixemos o brigadeiro, os docinhos, salgadinhos etc. para os aniversários, com limitação de quantidade, até porque sempre faço questão de que as crianças tomem café em casa antes de ir para as festinhas. É uma maneira de garantir um alimentação mais saudável e restringir naturalmente o consumo de doces e salgadinhos na festa.

É isso queridos, um ótimo final de semana!

transformando papelão em fogão

Os três estão aqui passando por uma virose que é só febre. Na verdade João já está bem. Agora é Alice e Carol que estão de molho. É sempre assim, um vai passando para o outro. A mãe, que precisa trabalhar, estudar, dormir (oi?) etc. fica inventando coisa pra fazer quando tem cinco minutos para respirar. 

Daí que eu vi meu pai jogando uma caixa fora e saí desesperada pedindo a ele que me desse a dita cuja, porque há muito tempo estava querendo fazer um fogão de papelão para as crianças. Não queria nada muito complicado, até porque não teria tempo de ficar pesquisando aqui e ali. E não é que bichinho ficou uma graça?


 
 A caixa


 Pintei de cinza e vermelho



 Cortei um retângulo para colocar uma cestinha branca de apoio (que pode funcionar como pia)


 Cortei bolinhas de papelão


Forrei as bolinhas com papel laminado e papel contact


 Cortei a caixa para fazer o forno

Colei as bolinhas com cola de silicone para compor as bocas






 Usei E.V.A para fazer os arremates em preto


 Utilizei cápsulas vazias de café para fazer os comandos





 Cortei lã para fazer o macarrão





 E a brincadeira rolou solta!


Então galera, vai juntando suas caixas!



ah, tá

Papo com Carol:

- Mãe, você realiza um dos meus três sonhos?

- Quais são, filha?

- Primeiro, conhecer a Disney. Segundo, ter um quarto só pra mim. Terceiro, ter uma casa na árvore.

***

Papo com Alice:

- Mãe, eu quero ser váaaarias coisas quando eu crescer...

- É filha??? Que legal! Me fale aí...

- "profesora, jornalista, ichilista, cantora, modelo, arciteta, bailarina, veterinaria, medica e cumziera"*.

:)



*escrito por Lili

escala cuisenaire e macarrão

Eu não conhecia a Escala Cuisenaire. Fui apresentada a ela por minha cunhada Sandra e simplesmente adorei. Quando abri a caixinha, a curiosidade foi geral e o resultado me surpreendeu. Fiquei junto com as crianças e aproveitamos as várias possibilidades que o jogo/brinquedo oferece: identificação de cores, trabalho com as operações matemáticas, ordem crescente e decrescente e frações. 

Para Carol, que já está no 4º ano do ensino fundamental, será de grande ajuda na hora de trabalhar as contas de divisão. Alice já compreendeu noções de multiplicação e divisão e ficou entusiasmada por ter acertado as perguntas que eu fiz. E com João brinquei com as cores, os tamanhos e as quantidades.

Adorei e recomendo como ótima atividade para brincar com os filhos e ainda ajudá-los com noções básicas de matemática.












E quem nunca colocou o filho para ajudar na cozinha? É diversão na certa! No último Sábado fizemos massa caseira para o almoço e foi um sucesso! O papai chef deu dicas de como usar a máquina de corte e as crianças se esbaldaram fazendo talharim. Se não tiver máquina, pode usar a faca, o resultado é praticamente o mesmo.

Se não for massa pode ser brigadeiro, pizza, salada de folha (João adora lavar uma folha alface...) etc. O que vale é a festa e a comilança depois!











Depois você pega a sobrinha da massa e vai brincar de restaurante.






#ficaadica

minhas coleções, meus mimos

Há muito tempo que não iniciava uma coleção. Aliás, a última que finalizei foi ainda na adolescência: os papéis de carta que guardava em várias pastas. Eles foram usados nas cartas que escrevi ao longo da minha juventude faceira, época em que fiz amigos por correspondência e esperava ansiosamente o carteiro passar pela porta de casa para receber as respostas. Ô tempo bom...

No ano passado comecei a coleção de xícaras, reflexo do meu vício por café. Adoro entrar numa cafeteria, observar os tipos de café que servem (de vez em quando levo alguns pra fazer em casa), sentir aquele cheiro gostoso tomando conta do ambiente...E as xícaras dão um toque especial, incrementam o momento da degustação e para mim fazem toda a diferença na hora de servir alguém. 

No finalzinho do ano dei um tempo porque não tinha onde colocá-las. Na verdade, desanimada com algumas que haviam sido quebradas, acabei guardando as que sobraram. E, agora, no início do ano, quando consegui comprar uma estante nova para a sala, decidi arrumar um espaço pra elas. Estou muito feliz por retomar a coleção, por ter desembrulhado cada xícara guardada e por ter encontrado um lugarzinho especial pra elas na minha casa.






 


Estas ficam na cozinha

Minha irmã faz a mesma coleção e tem cada xícara mais linda que a outra, algumas inclusive trazidas da Itália e da Espanha. E o mais legal é que a gente vai garimpando junto e comprando para a outra quando encontra alguma linda de morrer.

Mas não é só. Resolvi também colecionar brinquedos criativos, preferencialmente de madeira. Estou colocando uma parte na estante da sala, mas já sonho com um espaço só pra eles na minha futura morada.  E está sendo muito difícil me controlar pra não sair comprando todos os lindos que vejo. Namoro, namoro, namoro...e compro um só. Fico tentando me lembrar do que um dia disse a Carol: coleção se faz aos poucos. 


 Fico doidinha nas lojas...


É só o começo :)
 
Bom, mas como estou amando esses mimos, vou ali avisar aos parentes sobre as coleções, porque em março eu faço aniversário e aí quem sabe, né? rsrsrsrs #maecaradepau


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