Nós, os pais

Selinho da blogagem coletiva criado pela incrível Super Duper Anne


Hoje é o dia deles: os papais! Resultado de um movimento das mamães blogueiras, capitaneado por Carol.

Com vocês, o papai daqui.

***

 Pai de três

Olá,
Sou Márcio, marido de Ivana, pai de Carolina, Alice e João... Há alguns dias Ivana falou comigo sobre eu participar desse dia. Como o pedido foi feito muito mais em tom de intimação do que de convite, nem pude me eximir de participar deste momento (More, brincadeirinha!)
Bom, gente, ser pai, para mim, é algo curioso. Primeiro porque antes de ser pai, confesso que nunca me preocupei em me preparar para tal fato. Ao contrário das mulheres, que já vivenciam e se preparam para a maternidade, no mínimo, desde a gravidez. Sendo assim, a chegada do primeiro filho, no meu caso, filha, Carolina, mudou minha a vida radicalmente: sono constante (o que me incomoda até hoje), redução (sendo bonzinho) da diversão fora de casa, diminuição da privacidade do casal, etc. E, o pior, é que achamos tudo lindo... E realmente é!
Depois, vieram os outros dois, Alice e João, para completar essa saga MARAVILHOSA e sem fim chamada FAMÍLIA!  Seguindo a risca às máximas que dizem “quem está na chuva é para se molhar” e “não se preocupem que Deus ajuda a criar”, eu e Ivana seguimos a vida “molhados”, “abençoados” e felizes o tempo todo!
Agora, brincadeiras a parte, ser pai para mim é muito bacana e é ter muita responsabilidade. Dizem por ai (meus amigos, para ser mais preciso) que sou um péssimo exemplo de homem, pois aqui em casa o trabalho com as crianças é totalmente dividido. Aqui não tem moleza... Mesmo que eu não quisesse, se bem conheço minha mulher, acho que não seria diferente (risos).
Procuro participar de tudo, presenciar todos os momentos importantes da vida deles. Acredito que esses primeiros anos de vida são importantíssimos para a formação de nossos pequenos. E, cá pra nós, não tem coisa mais linda e emocionante do que ver e viver o desenvolvimento dos filhos: o momento do parto (quando ficamos sem saber o que fazer... parece que tem alguma coisa errada, mas na verdade está tudo certo!), o primeiro sorriso, o virar na cama, o sentar, o engatinhar, o primeiro dente, o andar, as primeiras palavras, o primeiro dia na escola, a primeira apresentação, as primeiras palavras escritas e lidas...Cada um com suas particularidades e formas de ver e experimentar a vida: Carol super criativa, artista, sabida que só ela... Alice, meiga, sedutora, uma princesa! E João, meu Janjão, super esperto, risonho, sapeca, a coisa (segundo Alice, “o coiso”) mais linda do mundo!
É bem verdade que preciso ter um pouco mais de paciência e disposição para sentar em casa para brincar com as crianças. Não que eu não faça isso, mas é que Ivana dá show nesse quesito (aliás, vocês que acompanham este blog, sabem bem disso!). 
Na paternidade, para mim, o mais difícil é a educação. É buscar o equilíbrio entre a rigidez e a flexibilidade. Tenho que confessar que às vezes sou muito rígido (“brabo”, seria mais adequado) e acabo me exaltando e exagerando nas broncas! Depois passo pela crise de consciência (e pelas puxadas de orelha de Ivana)...Fico péssimo! Mas sei que tento fazer sempre o melhor.
Bem, agora chegou a hora de eu me derreter: AMO MEUS FILHOS incondicionalmente!!!! O mais engraçado é que parece que esse amor sempre existiu... Não tivemos que conquistar ou ser conquistados... É, simplesmente, visceral! 
Meus filhos são a razão de minha vida! Sou pai coruja assumido!
É isso!

Por Márcio Luckesi



Pura comunicação

Estava eu na sala com João, enquanto as meninas utilizavam os computadores no meu quarto. Alice brincava com o paint e Carol escrevia no word. Resolvi dar uma espiadela para me certificar de que ainda estavam fazendo exatamente o que eu permiti que fizessem brincando.
Daí que me deparei com o seguinte aviso na porta:


Oi? Entrei. Tudo estava como antes. Apenas uns cochichos aqui, umas risadinhas ali...
Voltei pra sala. Retorno de novo ao quarto mais tarde e o aviso tinha sido trocado:



Assim ficou melhor.
Vou e volto, vou e volto e...novo aviso:


Esse vou deixar na porta até o sábado pra ver se eu consigo dormir até mais tarde...sem ser incomodada com as incansáveis batidas na porta, as brigas na hora de escolher o DVD e as reclamações porque o pão tá muito quente ou porque não tem ovo frito.
Coisas de uma pequena que está em processo de alfabetização, exercitando uma das formas de comunicação e contando com a ajuda de outra pessoinha que faz questão de entrar na bagunça!

E agora as tagarelices:

ALICE
Olhando o tapete de grama artificial da escola:

- Mamãe, essa grama era de verdade.  Foi cortando, cortando, cortando...aí virou de mentirinha.


***


Durante uma crise de amidalite, peço a Alice para gargarejar com uma medicação. Ela olha pra mim e diz:

- Mãe, não quero "gargalhar"!


***
Conversando com tia Iris:

- Tia Iris, você compra Barbie Homem?

- Você quer dizer Ken, o marido da Barbie.

- É, mas preciso de muitos homens, porque tenho muitas Barbies...



CAROL:


Entrando no elevador do prédio onde mora minha irmã, Carol pergunta:

- Aqui tem câmera de segurança?

- Não meu amor, o prédio é novo, ainda vão colocar.

- Ah, legal. Então a gente pode soltar pum...!


***

Acabo de sentar na mesa pra almoçar e Carol pede:

- Mãe, quero água.

- Meu anjo, vá pegar na cozinha, acabei de sentar.

- Ô mãe, você sabia que sou uma menina cansada?



***

Ainda no almoço, comento à mesa:

- Hum...essa carne tá deliciosa!
Carol emenda:

-  Carne rosa... tem corante, argh!!



***

Conversando com Carol, ela comenta:

- Um dia vou ser avó.

- Vai sim, filha.

- Eu tenho medo de ficar velha.

- Por que meu amor?

- Porque velho fica cheio de bolinha no braço (ela se referia às manchas senis...)

- Mas a velhice traz experiência, maturidade, conhecimento... (abafa!!!)

- É...E  morre...Eu nunca vou crescer, igual a Peter Pan.


***


Falando de profissões, Carol comenta:

- Quando crescer vou ser babá.

- É filha, e por quê?

- Porque os pais vão me pagar e eu vou ganhar dinheiro.

***

Sento na frente do computador e  Carol comenta:

- Mãe, porque você só fica na frente do computador?

- Como assim, filha?
- Você só fica escrevendo, porque não desenha?
- Eu não sei desenhar filha.
- É só treinar mãe!
 (OBS: Isso porque vivo dizendo a ela que para aprender a fazer algo que a gente não sabe, a gente precisa treinar.).

***

Carol cantando um trecho do Hino Nacional:

"Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
ENTRE OS SEIOS, ó liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte! ".

O dia

O que dia em que João deu mais um passo para a independência.
O dia em que ele descobriu a caixa de ferramentas do papai.
O dia em que ele percebeu que o quarto dele não era tão pequeno.
O dia em que ele soube que poderia dormir como as meninas.
O dia em que ele conseguiu subir no colchão onde sempre dormiu, sem ser ajudado.
O dia em que o quarto ficou mais colorido e especial.
O dia em que o berço virou mini-cama.










O sono? Nada mudou. Continua acordando várias vezes de madrugada pra mamar. A mãe caiu de novo na ilusão de que as noites seriam melhores. O mal da gente é querer às vezes decidir por eles coisas que só eles podem decidir.






Faça você mesmo...ou não!


Eu e minha cunhada Sandra nos aventuramos a fazer fantoches de espuma, seguindo o passo-a-passo de um revista muito legal, com várias idéias de bonecos (feitos de meia, E.V.A, espuma etc.). Olha, fiquei surpreendida com o resultado. Os bonecos ficaram enormes, lindos, as crianças aqui em casa enlouqueceram.

Se contar histórias já é bom, imagine se regado a fantoches falantes!








E olha o resultado:







O criador dos fantoches, Bruno, tem um site de venda  de  bonecos e outros produtos. Vale a pena dar um pulinho .

Comprei também dois palhacinhos na Tok & Stok que fizeram um sucesso. Já namorava os dois há muito tempo, mas todas as vezes em que pensei comprá-los, meu bolso gritava. Até que não resisti e comprei. Tudo na Tok e stok é caro, peloamor!






E pra completar ganhei um tapete para contação de histórias de Rege, esposa de meu sogro (vovô Cipri). Fiquei encantada, lindo demais. Um tapetinho, com duas fadinhas e um barquinho. Alice amou!


  

Pensam que acabou? Tem mais artista na família. Minha mãe (vovó Damis) faz roupinhas de boneca como ninguém. Ela costura desde muito jovem, aprendeu sozinha, sem utilizar moldes, olhando, pensando e criando. A máquina de costura dela é das mais antigas e ela se vira pra fazer os artesanatos (porta-bijuteria, organizadores de bolsa, enfeites para cozinha, bolsas de tecido etc.). O que pedirem ela faz. Ela desarma o troço todo até descobrir como cortar, montar e costurar. Fico impressionada com tamanha destreza. Mas talento é nato, né?

E uma das coisas de que mais gosto são as roupas de boneca. As que mais vendem são os vestidos da Barbie, feitos com retalhos de tecidos que as irmãs e amigas dela, também costureiras, fornecem mensalmente. Tirei umas fotos da última remessa, olha que lindos:


 Abafa a cara das bonecas!










Quando eu era pequena, minha mãe ainda não fazia as roupinhas. Só as que eu vestia. Detalhe que até minhas calcinhas eram feitas de pano, super originais. Lembro de minhas amigas comentando: suas calcinhas são de pano? Quando virei pré-adolescente disse a minha mãe que não queria mais usar calcinhas de pano, mas as “normais”, compradas nas lojas. Ela deve ter ficado arrasada..rs!

Hoje são as netas (Carol e Alice) que vibram com as roupinhas de boneca que vovó Damis faz e às vezes até pedem pra cortar os panos, pra costurar, mexem e remexem a caixa de costura, e ainda brincam com as bonecas das clientes.

Ah...E vovó Damis é craque em criar as fantasias das meninas para os aniversários aqui em casa ou na escola. Amo!


***


Pra fechar com chave de ouro, Carol e a confusão dos sexos:


Vendo o vocalista da banda Restart na TV, Carol pergunta:

- É homem, mãe???


***

Vendo Marília Gabriela na TV, Carol pergunta:

- Pai, é um homem vestido de mulher???


***


Assistindo ao clipe onde Maria Gadu conta ao lado de xuxa (XSPB 10), Carol questiona:

- Pai, é um menino cantando com Xuxa???

O que escolhemos, e o que a vida escolhe por nós

Nada como o tempo para fazer a gente rever certos valores e mudar a nossa maneira de pensar. E muitas vezes nos colocando justamente onde não imaginaríamos estar.

Antes de ter filhos eu vivia para o trabalho. Queria mais, mais e mais. Queria resolver tudo nos mínimos detalhes, queria ter resposta pra tudo, queria ser a profissional perfeita, incapaz de cometer qualquer erro, e ficava irritada comigo mesma se desse algum tropeço ou falasse coisas que não deveria ter falado.

Olhava as minhas colegas de trabalho que já eram casadas e tinham filhos e não conseguia me imaginar naquela situação, questionava-me ainda como podiam dar conta de tantas atribuições (casa, marido, filhos, trabalho) e, por pura imaturidade, chegava a atribuir a esse acúmulo de funções a culpa por eventual descuido no trabalho.

A minha lição veio com o tempo. Aprendi na marra, vivendo justamente tudo aquilo que não espera viver. Como se o universo tivesse virado pra mim e lançado em minha cara: "toma aí, você vai ver que não é bem assim que a banda toca". E daí que o nascimento de Carol foi o suficiente pra enxergar o meu equívoco, colocando-me numa posição inimaginável outrora, e que me fez repensar o meu papel em todos os aspectos (no trabalho, em casa, com meus amigos). A rigidez com que enfrentava as situações, a impaciência com determinadas atitudes que eu mesma provocava e a intolerância com meus próprios erros (e dos outros), deu lugar à flexibilidade e à aceitação.

Flexibilidade no sentido de que tudo pode ser mudado e de que as coisas nem sempre acontecem do nosso jeito. O cenário de hoje pode não ser mais o de amanhã. E a aceitação dos erros... Aceitá-los, para aprender e evitar outros, com a consciência de que todo mundo erra.

É, porque depois que fui mãe aprendi que posso errar, e muito. E que isso não é o fim do mundo.

Aprendi também que, dá sim, pra cuidar da casa, do marido, do trabalho e dos filhos. Mas de um outro jeito, sem muitas cobranças, sem me julgar, sem julgar os outros...Porque, afinal, errar é humano.

Aprendi que a prioridade em minha vida é, definitivamente, a minha família, o que justifica correr com o trabalho pra chegar mais cedo em casa, não resolver todos os problemas de uma só vez, não trabalhar pra poder cuidar de um filho doente ou trabalhar em casa pra ficar mais perto deles, além de abrir mão às vezes do meu perfeccionismo que me acaba só pra ganhar tempo.

Aprendi que posso ser feliz sem sofrer para que tudo esteja sempre no lugar que deveria estar ou para que as coisas sejam do jeito que EU quero e não como devem ser. Ser mãe me fez tirar muitas “culpas” das costas (óbvio que não aquela inerente à própria condição de mãe), enxergar a vida com mais leveza e me preocupar com o que REALMENTE importa.

Não quero dizer com isso que me tornei uma pessoa comodista ou que preferi fechar os olhos para a realidade (mas a realidade não é aquilo que os NOSSOS olhos veem?). Jamais. Apenas aprendi a seguir em frente e lutar pelo que quero por OUTRO CAMINHO, um caminho que me permite decidir com mais flexibilidade, separando o joio do trigo, sem que tenha de me punir eternamente por um vacilo.

Pois é, ser mãe muda tudo. O olhar, a maneira de ouvir, de pensar...Muda-se a razão das coisas.

Hoje sou aquela colega de trabalho que cuidava da casa, do marido, da família e das suas funções e sobre a qual, lá atrás, lançara as minhas dúvidas. Já tenho todas as respostas de que precisava e só posso concluir que não precisamos optar por não ter filhos ou deixá-los, para enfrentar o que a vida nos coloca e/ou realizar OUTROS sonhos. Tudo pode ser conciliado, experimentado e vivido, moldando-se o que tiver de ser moldado, errando se for preciso e, principalmente, respeitando-se o tempo de cada coisa.

É isso...Até mais.


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