livros: cazumbinha, psiu e mais

"Histórias da Cazumbinha" é um livro encantador, que retrata a vida de uma menina que nasceu num quilombo do sertão da Bahia (quilombo do Rio das Rãs) e aprendeu, através de muitas aventuras e brincadeiras, os costumes de sua gente.

Cada capítulo traz uma história narrada de maneira simples e envolvente, com ilustrações lindíssimas, que misturam fotos com desenhos bem coloridos (fotoilustrações).









E tem também a história do simpático fantasminha Psiu, da coleção Meus Medinhos, intitulada “O pequeno fantasma”, de Pedro bandeira e Carlos Edgard Herrero.





Pra quem gosta de versos, poesias e quer entreter as crianças de forma descontraída, a dica é o livro “Por enquanto eu sou pequeno”, também de Pedro Bandeira. Tem versinhos muito engraçados e as ilustrações são divertidíssimas!





Já a Revista Recreio lançou o livro Especial Curiosidades, uma coletânea de perguntas muito legais, divertidas e instigantes feitas pelos leitores a respeito de vários assuntos (dinossauros, bichos, natureza, corpo, mundo, espaço, invenções, recordes etc.). São perguntas do tipo: quem inventou o futebol de botão? Qual é a maior ave do mundo? Como surgiram as múmias? Por que o chiclete sempre gruda nos dedos, mas não gruda na boca? O sol vai acabar um dia? Por que só Saturno e Urano têm anéis? A gente aqui tá se pocando de rir com as perguntas mirabolantes dos leitores!




Dá pra animar, hein?






* imagens retiradas daqui e daqui

aniversário do blog e SORTEIO para comemorar!

Oba! No dia 10 de setembro meu blog fará um ano e, é claro, nada como um sorteio para agradecer a todos os que passam por aqui e que de uma forma ou de outra deixam o seu carinho e me incentivam a continuar registrando aqui um pouquinho da minha vida como mãe e muitas outras coisas que chegam ao meu coração e me dá vontade de contar. Só tenho tido experiências maravilhosas em razão do blog e agradeço muito por isso!
No dia 10/09 falarei um pouco mais sobre como criei esse cantinho aqui, como a ideia surgiu e os pensamentos recorrentes que tenho por conta dele, tá?
Agora quero mesmo é lançar o sorteio de aniversário! Serão sorteados dois kits, portanto, serão duas ganhadoras (ou ganhadores).
O primeiro Kit: um livro que li emprestado de uma amiga e me apaixonei, “Pequena Abelha”, de Chris Cleave e um CD da Banda de Boca, MPB para Crianças, lindo de morrer:




O segundo Kit: um livro para a criançada se divertir, inclusive com toda a família, “Um Montão de Coisas Para Achar e Colorir”, Fiona Watt,  Editora usborne, e  duas canecas pintadas com exclusividade por Carol!






E as regrinhas para participar são super simples:

1.      Ter endereço de entrega no BRASIL;
2.      Ser SEGUIDOR do blog http://ivanacoisademae.blogspot.com;
3.      Deixar um comentário neste post com nome e e-mail.

O sorteio será realizado pelo Random (porque estou sem tempo pra me coçar) e divulgado no dia 10 de setembro.
As inscrições poderão ser feitas até o dia 8 de setembro.
Quem quiser me ajudar a tornar o sorteio mais democrático, divulgando nas redes sociais, ficarei muito feliz!
Então, cruzem os dedos e boa sorte!

eu me lembrei...

Eu não tenho uma boa memória para recordar fatos da minha infância. Os fatos que vem à tona são aqueles que efetivamente me marcaram, como as idas ao parque da cidade, os Domingos na sorveteria da Ribeira, as horas que passava andando de bicicleta na rua ou brincando de boneca nas escadas do prédio...Mas engraçado que depois que tive filhos, alguns fatos que eu acreditava que haviam se perdido no tempo, estão voltando em forma de doces lembranças, reproduzidos através das crianças.

No último Domingo fui com minha irmã ao aeroporto para que ela pudesse trocar uma passagem e, depois de tudo resolvido, caminhamos pela livraria, pelos corredores, olhando as lojas, as lanchonetes e acabamos parando numa área em que muita gente passa horas olhando os aviões subirem e descerem.

Nunca tinha levado as crianças para acompanhar a movimentação das aeronaves. E quando vi os três empolgados por estarem tão pertinho dos aviões, apontando aqui e ali, olhando atentamente alguns decolarem e outros aterrissarem, sem sequer se incomodarem com a barulheira, lembrei-me na hora de que meu pai muitas vezes me levou junto com meus irmãos para fazer o mesmo e voltei completamente no tempo, chegando a visualizar a gente correndo pelos corredores do aeroporto, eufóricos e ansiosos pra ver mais uma vez aqueles gigantes barulhentos.

Foi algo tão singelo, mas ao mesmo tempo tão profundo, que saí de lá pensando em como a gente precisa de tão pouco pra se divertir e pra viver momentos especiais. Sem precisar pagar nada por isso, apenas se deixar levar pelo instante. Sábia lição de meus pais.






sobre a mãe-tigre




No auge da polêmica em torno de Amy Chua, não tive vontade de ler o seu livro. Imaginei um texto chato e tenso. Somente depois de ouvir comentários aqui e ali e ler matérias a respeito, a vontade apareceu. E o post da Mari – Viciados em colo me deixou ainda mais curiosa.

Li e acabei me surpreendendo. Leitura leve, fluente e, diria, tensa, apenas em razão de fatos específicos narrados pela autora e não pelo texto em si.

Pra mim, a simples história de uma mãe que quis impôs às filhas a maneira “chinesa” de ser. Filhas que teriam de ser, para ela, o que ela foi para seus pais. Isso significaria temer as desaprovações e, portanto, evitá-las. Mais importante do que qualquer consideração a respeito dos sentimentos que pululavam no coração de cada uma de suas filhas, era fazer com que estas respeitassem profundamente os pais e recebessem os valores de sua cultura mesmo que por obrigação, para evitar, inclusive, a “decadência” da família. Daí se constrói um caminho de brigas, imposições, desafios e muito autoritarismo, com algumas pinceladas de humor, acreditem.

Confesso que não senti raiva de Amy ou fiquei assustada com as suas atitudes. O contexto é autobiográfico e isso fez com que me deixasse levar com certa placidez pelas histórias de sua infância, pelas descrições a respeito da relação que tinha com o seu marido e suas filhas e as avaliações que fazia das mães chinesas, sempre as comparando com as mães ocidentais, estas últimas alvo de severas críticas, normalmente relacionadas à defesa da liberdade de escolha e preocupação “excessiva” com a autoestima dos filhos.

Se de um lado Amy era rígida, autoritária e extremista na educação das meninas, de outro também vacilava com seus sentimentos íntimos e sofria com algumas decisões que tomava, um jogo que, a meu ver, faz parte de uma mãe que quer o bem de seus filhos e só está querendo acertar. Com todos os percalços e situações de conflito emocional extremo, e mesmo discordando com veemência de algumas atitudes que adotava com as meninas, não tive dúvidas do amor dessa mãe por suas filhas. Não pelo carinho e afeto diários, que se revelariam em beijos e braços calorosos e conversas descompromissadas, sem cobranças, porque isso, de fato, não existiu. Mas pela vontade que demonstrou de querer o melhor pra elas, independente dos métodos que utilizou pra isso (ameaças, “toma lá, dá cá” e várias chantagens) ou do que ela considerou ser o “melhor”.

A maneira com que Amy educou suas filhas se divorcia, e muito, daquela que aplico, assim como o que ela colocou como o “ideal” para suas crias. E foi isso que tornou a leitura muito mais interessante pra mim. Pensar sobre outra forma de educar, mesmo que permeada fortemente pela questão cultural, sem a pretensão de encontrar o que está certo e o que está errado, foi um exercício que adorei fazer.

Lendo ainda uma reportagem que saiu sobre a Mãe Tigre na Veja do mês passado/06.07.2011, que traz muitas passagens do livro, chamou a minha atenção a referência ao urso panda, como metáfora mais adequada do que os tigres no que toca à criação dos filhos. Porque “além de ingenuamente chineses, como quer Amy Chua, simbolizam duas qualidades essenciais ao exercício da maternidade e da paternidade: força e compreensão. É uma combinação que leva à disciplina e também ao convencimento, à flexibilidade. Um dos aspectos que mais angustiam os pais hoje é a cacofonia de orientações contraditórias de psicólogos, pediatras, pedagogos, criançólogos em geral. Diante disso, o psicólogo Davi Anderegg, professor do Bennington College, tem um grande conselho a oferecer aos pais: ‘Siga sua convicção’. (...) Anderegg entende que os filhos são criados segundo a cultura local. Como a cultura varia enormemente de um lugar para outro, como explicar que as crianças, em geral, cresçam sadias e normais na Suíça, no Suriname ou no Sudão? A resposta é simples: porque a criança recebe bem aquilo que lhe é entregue com serenidade e convicção – aquela convicção das mães que ouviram de suas mães, que por sua vez ouviram de suas mães, que ´é assim que se cria filho”. (destaquei). E mais: “a convicção pode mudar, evoluir, transforma-se com o tempo. O importante é que seja substituída por outra convicção, e não por uma receita papagaiada”.

A frase que destaquei em negrito tem muito a ver com o que penso. Acredito muito nisso, é preciso confiar, acreditar, nas escolhas que fazemos. Se tudo vai dar certo, se as opções foram ou não equivocadas, isso a gente vai saber depois e sempre torcendo pra que tudo dê certo.

E outra coisa é a “forma” como vamos expressar essa convicção. O caminho do embate direto e sofrido e de seguir alheia aos sentimentos de meus filhos, com certeza não seria nem a minha última opção.

Como qualquer mãe, farei o que for possível para que meus filhos sejam felizes, para que fiquem bem e saibam enfrentar os dissabores da vida com a máxima tranquilidade que a situação permitir. E, com certeza, pra isso, farei muitas escolhas por eles. Mas jamais vou deixar de ouvi-los, de permitir que façam o que gostam (e não somente o que é necessário), que se socializem, que conheçam pessoas e culturas diferentes, que tenham prazer de viver.  A disciplina e a responsabilidade não são incompatíveis com a liberdade de escolha e com uma educação cuidadosa e amorosa. Elas podem caminhar juntas.

Adorei também o último capítulo do livro, em que Amy descreve como foi todo o processo de produção dos seus escritos, principalmente por descrever, com detalhes, as observações e reações das filhas cada vez que liam os rascunhos. Até nessa hora houve conflitos.

Enfim, fiquei encantada com o livro e admirada com a coragem e convicção de Amy.

Recomendo muito, e saí dele convencida de que MÃE, no fundo, é tudo igual: ama os seus filhos e querem o melhor pra eles, mesmo que escolham, pra isso, conscientemente ou não, caminhos tortuosos.

E nada melhor do que buscar o equilíbrio, o que significa estar sempre em estado de alerta e pronta pra reconhecer os erros e aprender com eles.  

meu filho tá crescendo

João tá um tagarela, esperto, brincalhão e adora fazer a gente correr atrás dele. Já pede “acate” (chocolate – quem dera fosse abacate), “fulva” (uva), corre pra abrir a “pota” (porta) quando alguém buzina, depois de perguntar “qui é” (quem é) e tentar se esconder chamando a gente pra ir junto com ele (“conde, conde”).

Aperfeiçoou o nome das meninas (passou de “Caol” para “Calol” e de “ixe” para “lhilhi”), chama tia Iris de “is” e o pai de “môle” (EU chamo o pai dele de “more”).

E anda aprontando todas!


Não aguenta ver o violão que sai correndo querendo tocar:





Já foi flagrado atacando a lata de Nescau:






Tira onda de desenhista:




Adora futucar os livros de gastronomia do pai:






Esse é o nosso “Jão”, que tem feito a alegria de todos aqui em casa e anda crescendo tão rápido que dá medo.

Por que eles dão esses "saltos" e a gente começa a sentir saudade do bebezico, heim?

as mamadas da madrugada - o desenlace

Tem mais de doze dias que João não mama de madrugada. O processo não foi tão difícil como imaginava que seria, mas também não foi tão fácil, por conta do sono mesmo e da necessidade de me manter firme na escolha que fiz.

Decidi que toda vez que ele acordasse, conversaria com ele que não teria mais o “mimi”, ofereceria água e o faria dormir no colo. Nos três primeiros dias ele chorou, não muito, mas chorou. Expliquei, cantei, ninei e continuei decidida. Dei um iogurte no primeiro dia, suco no segundo e, no terceiro, água. Ele não levou cinco minutos pra dormir.  E, em todo o despertar na madrugada, ofereci água. Algumas vezes aceitou, outras recusou. Em outros dias ele chegou a dormir direto, das 23h às 5h da manhã. Tiveram momentos também em que nem precisei tirá-lo da caminha. Sentei ao lado dele, fiz uma massagem nas perninhas e ele dormiu.

Como está hoje? Ele tem dormido no horário de sempre, em torno das 19:30h, sem peito (vou andando pela casa com ele no colo, cantando, e ele não demora muito pra dormir; um dia reclama um pouco, outro dia não reclama. Tudo sem sofrimento). Perto da meia noite ele acorda de novo, dou colo, canto um pouquinho com a voz horrível de sono e o coloco de volta na caminha.

Ou seja, ainda não dorme a noite toda, mas com certeza acorda menos (duas vezes, no máximo), sem necessidade do peito. Normalmente tem recusado iogurte, suco ou até água antes de dormir. Mas não vou deixar de perguntar até que tudo se ajeite.

E durante o dia? Continua mamando em livre demanda e não percebi nenhuma mudança de comportamento por conta da retirada das mamadas da noite e da madrugada. É, porque tirei a mamada da hora de dormir. Fiquei com medo de confundi-lo (pra ele, se está escuro é noite; então, se não dou de madrugada, também não dou de noite antes dele dormir). Ou seja, só tem leitinho com o dia claro. É mais uma das minhas teorias malucas que tem dado certo. Acredito que, em alguns dias, ou meses ele vai dormir a noite inteira.

Não quis tirar tudo de uma vez. Vou levando assim e aproveitando pra continuar curtindo meu pequeno e aproveitando pra me despedir da amamentação.

Despedida. Acabo de sentir o peso dessa palavra...

Mas tá tudo bem. Pra todos nós.

pais

Um pai participativo, que não se cansava de cuidar de quatro filhos.

Um pai que levava os filhos para passear todos os finais de semana, carregando um isopor cheio de comidinhas e refrigerantes para a praia e que nunca deixou de comprar os brinquedos artesanais que vendiam no parque da cidade.

Um pai que ia pegar os filhos na natação, no balé, nas aulas de patinação, de jazz e de judô sem reclamar e que levantava de madrugada para buscá-los nos clubes depois das festas, ignorando o cansaço.

Um pai que estava sempre disposto a conversar, que não se intimidava com as perguntas mirabolantes que os filhos faziam e que sabia, mesmo em silêncio, expressar o que sentia.

Um pai que nunca se recusou a comprar um livro para seus filhos e esteve presente na hora das escolhas difíceis, sem impor as que entendiam corretas.

Um pai que sentiu orgulho das pequenas e grandes conquistas de cada um de seus filhos.

Um pai que, mesmo chateado, não ignorou os pedidos de ajuda dos filhos.

Um pai que, com toda timidez e um jeito sério, não escondeu o amor por seus filhos e aprendeu a sorrir com as pequenas coisas.

Esse é meu pai. Ele não mudou nada. Continua o mesmo de sempre. E é desse jeito que o amo, que o admiro.

Paizão, felicidades!






***

Pai é pai desde a gravidez

Vibra junto, comemora, sente até enjoo

E parece em constante estado de embriaguez

Acompanha, compartilha, chora quando vê um novo coração pulsar

E se pergunta o tempo todo se vai aguentar

Quando recebe uma parte de si nos braços,

Entra em êxtase, não consegue falar e chega a sentir dor

Só quer olhar, tocar e entender a razão de tanto amor

O tempo passa, a vida se torna cada vez mais especial

O peito transborda de emoção e surgem mil motivos para chorar

Um choro que estava guardado por muito tempo, de encantamento por alguém que é a razão de sua vida, e de alegria por ser simplesmente PAI.

Te amo, more. Você é o melhor pai do mundo!







contadores de histórias

Contar histórias não estava nos meus planos. A vontade surgiu no início do ano passado, como parte de um projeto pessoal, e foi amadurecendo com o tempo. E, agora, acabo de concluir o primeiro módulo de um curso de contação de histórias.

Tivemos momentos de relembrar fatos da infância, de trabalhar com improvisações e de exercitar a arte de narrar um texto, com a possibilidade de incorporar um ou mais personagens da história. Sem falar nas cantigas, trava-línguas, rimas e nos exercícios de autoconhecimento, com corpo e mente trabalhando juntos.

Além de tudo, foi fantástico constatar que a contação vai muito além do universo infantil, alcançando pessoas de todas as idades e mexendo com o imaginário de todos os que apreciam e gostam de escutar uma boa história.  Quando a narrativa se descortina, projetamos as imagens através da imaginação, viajamos através do enredo e criamos uma expectativa constante pelo que está por vir. O resultado é um momento de encantamento e prazer.

Surpreendi-me com a capacidade que temos de expressar o que um conto tem de melhor, usando a voz, o corpo e a emoção. Manter o “fio” da narrativa e, ao mesmo tempo, ser capaz de contagiar, emocionar e envolver o público é um  desafio que vale a pena viver. Um desafio que não é difícil quando se tem a consciência de que cada um tem o seu jeito de contar uma história e de que todos nós somos “contadores” em potencial, bastando que nos deixemos levar por esse caminho instigante, concedendo-nos uma oportunidade.

No último Domingo, como atividade de encerramento da primeira parte do curso, fizemos uma aula aberta, sem qualquer formalidade ou “obrigação” de acertar, onde contamos algumas histórias e pudemos experimentar, através de um simples exercício, a emoção de ter um público presente. Embora ansiosa, fiquei muito feliz pela experiência e por ter conseguido superar o desafio.


Só consegui contar a minha história na segunda tentativa,
 porque quando João me viu sentar nesse banquinho desatou a chorar,
correu pro meu colo e gritou “mimi, mimi”.


Estou contagiada e completamente envolvida com esse trabalho, a ponto de não querer que toda a sua essência desapareça quando o curso terminar. Quero ir adiante, fazer com que outras pessoas possam experimentar esse percurso e continuar a incrementar os meus projetos.

Contar e ouvir histórias é uma maneira de viver numa outra dimensão, experimentar o diferente, ser quem você não é, sair do eixo, alegrar-se e retornar mais fortalecido.

Por isso, leiam sempre, contem histórias e se permitam viver "o novo" todos os dias.


***

A história que contei:


A menina e Figueira
Era uma vez, um senhor viúvo, que tinha uma filha muito bonita, com os cabelos longos e da cor do ouro. Sua mãe em vida, penteava e cuidava dos seus cabelos como se realmente fossem fios de ouro.
Na vizinhança morava uma moça que queria se casar com o pai da menina e, por isso, fazia-lhe tantos agrados, que ela chegou ao pai e lhe disse:
- Meu pai, por que você não se casa com a vizinha? Ela é tão boa para mim! Todos os dias quando vou a sua casa, ela me dá pão com mel.
- Minha filha, quando ela se casar comigo, lhe dará pão com fel.
Mas a menina não acreditava, e tais agrados a moça lhe fez que o pai acabou se casando com ela.
Depois do casamento, a madrasta começou a maltratar a menina, castigando-a pela falta mais insignificante.
O marido tinha no jardim uma enorme figueira, e a pequena era obrigada a vigiá-la o dia todo, para que os passarinhos - seus amigos - não comessem os figos e quando isto acontecia, a madrasta batia-lhe sem piedade.
Aconteceu, um dia, que os pássaros comeram os figos, e tendo viajado o marido, a madrasta enterrou a menina num capinzal que havia no jardim.
No dia seguinte, o marido chegou e procurou a filha; a madrasta disse-lhe que havia desaparecido.
Mais tarde, o jardineiro foi cortar capim para dar ao cavalo e ao passar a foice no capim, ouviu este canto triste e se pôs a escutar:
“Jardineiro de meu pai
Não me corte os meus cabelos,
Minha mãe me penteou, minha madrasta me enterrou,
Pelos figos da figueira que o passarinho bicou.
Xô passarinho, xô passarinho, da figueira de meu pai.”
Então o jardineiro foi contar ao patrão o que acabara de ouvir. Este foi ao capinzal, mandou o jardineiro passar a foice no capim, e novamente ouviram o canto.
Reconhecendo a voz da filha, mandou o jardineiro cavar a terra e, encontrando a menina ainda com vida, levou-a para casa. Botou a mulher para fora e não quis mais saber dela ficando só com a filha.

Fonte: D.Esther, 1863
 

sobre a boneca que precisa ser amamentada

Essa boneca tem causado o maior burburinho entre os pais, em vários países. Segundo informações que encontrei no site da revista Crescer, funciona assim: “A criança veste uma espécie de "top" com uma flor de cada lado. É por ali que o Bebé Glotón, ou bebê guloso, é amamentado, emitindo sons e gestos característicos. Até o arroto após a mamada é imitado pela boneca. Segundo o fabricante, a empresa Berjuan, o brinquedo foi criado para promover a importância e a naturalidade da amamentação.”.


imagem daqui


Claro que nada escapa de uma polêmica, principalmente quando estão em jogo a educação e a forma como criamos os nossos filhos. E não vou (nem quero) entrar na questão da “necessidade” de fabricação de uma boneca como essa ou da propaganda que vem sendo feita a respeito. Mas não consigo entender porque tanta polêmica e custo a enxergar algo que seja prejudicial à criança que resolve fingir que está amamentando a sua “filha”, coisa que Alice faz aqui em casa, com todas as suas bonecas-bebê, inclusive algumas vezes sentando ao meu lado e me fazendo companhia enquanto amamento João.

O fato de a boneca fazer movimento com a boca, simulando o ato de amamentar e vir acompanhada de um “top” para a criança vestir, pra mim não faz a menor diferença. Quando Alice pega o seu bebê e o coloca para mamar, o seu intuito é um só: brincar, fantasiar e me imitar. Ela não vislumbra nesse momento um “ato sexual” ou uma “mulher”, mas uma “mãe”, que acalenta e dá carinho a seu filho. Não consigo imaginar outra coisa.

Penso também que, embora uma criança não tenha consciência real da importância do ato de amamentar, a brincadeira pode se transformar numa excelente oportunidade de conversar sobre o assunto, o vínculo que ele representa entre mãe e filho e de como é importante para o desenvolvimento e a saúde do bebê.

Às vezes acho que as pessoas ficam “encucadas” com qualquer coisa, sabe? Procuram “cabelo em ovo” (como se diz por aqui) e saem criando polêmica em torno de assuntos que deveriam ser conduzidos com simplicidade. Brincar é algo natural e saudável. As pessoas complicam demais a vida. #prontofalei

Vou continuar me alegrando com Alice brincando de amamentar as suas bonecas, de casinha, de carrinho, de jardim, de ser professora e de tudo o mais que a imaginação dela permitir.

E vocês, o que acham? Vou adorar ouvir opiniões contrárias!

as mamadas da madrugada

João vai completar dois anos em outubro e segue firme e forte mamando. Mas muita coisa mudou nesse tempo. A amamentação está sendo “parcial”, porque ele só mama em um dos seios (o leite do outro secou por conta de uma fissura que tive de tratar) e a quantidade é escassa, o que não é problema pra João, que vem se contentando com pouco. Na verdade, acho que a essa altura o que vem sustentando a amamentação é a nossa vontade, minha e dele, de continuar aproveitando esse momento de carinho, de troca, de cumplicidade, para ficarmos mais tempo juntos.

Mas confesso que estou extremamente cansada, não pelas mamadas do dia que, aliás, já diminuíram muito, mas sim por aquelas que ocorrem de madrugada, por três, quatro vezes. O que acontece é que ele acorda choramingando, eu levanto, coloco-o no peito, ele “chupeta” o bico e dorme em menos de dois minutos. Até dou risada pra não chorar. Tá na cara que não é fome, não é sede, é necessidade de colo (e nesse ponto vem a culpa, claro, que me faz perguntar: será que estou dando atenção a ele de forma suficiente durante o dia?).

Daí que de um tempo pra cá passei a admitir a possibilidade de oferecer o colo, sem que, necessariamente, tenha de dar o peito. Ou seja, levantaria, pegaria João no colo, andaria um pouco com ele, daria água e tentaria colocá-lo pra dormir sem a mamada habitual. Anteontem fiz um teste, conversei com ele que o “mimi” tinha acabado e que era hora de dormir. Ele chorou muito no meu colo, fiquei andando pela casa, de madrugada, cantando pra ele e em menos de cinco minutos ele dormiu. Mas não sei se agüento fazer isso por muito tempo e nem sei se ele vai ceder tão fácil assim, porque é mais cômodo, mais prático e mais tranqüilo colocá-lo no peito e deixá-lo “chupetando” até dormir, sem estresse, sem choro.

Por outro lado, se eu insistir na tática de conversar com ele e não dar o peito de madrugada, pode ser que dentro de alguns dias ele se convença de que não vai ter “mimi” de madrugada e passe a dormir a noite inteira (seria ilusão?). Ao passo que, se eu continuar dando o peito pra me livrar do choro, ele vai continuar acordando pra mamar até quando ele quiser.

Resumo da ópera: tô cansada pra caramba, não vejo necessidade alguma de manter essas mamadas de madrugada (por conta da idade dele e porque jamais reclamei de levantar milhares de vezes até agora), mas não quero deixar de dar colo a João, de atender aos seus apelos e tenho horror a qualquer método que recomenda deixar a criança chorando até dormir de exaustão. Isso nunca.

Além disso, João não toma qualquer tipo de leite, só o do peito. Já tentei todas as marcas, sem sucesso. O pequeno faz cara feia e tem ânsia de vômito.  Então, a tática da mamadeira de leite artificial antes de dormir não rola aqui.

Ou seja, preciso só tomar coragem pra ter paciência e disposição de administrar a tática da conversa, da água e do colo em plena madrugada, com a esperança de que ele, em breve, durma a noite inteira, para o bem de todos.

Só quero registrar mais uma coisa: em plena Semana Mundial de Aleitamento Materno me sinto muito feliz por ter tido condições de amamentar meus três filhos. Já falei aqui sobre a minha vivência e não tenho dúvidas de que a amamentação é um dos prazeres mais intensos, mais verdadeiros e mais emocionantes que uma mãe pode experimentar. E seria maravilhoso que todas as mães tivessem acesso a informação, de modo objetivo, claro, para que pudessem se preparar, com tranquilidade e cercadas de apoio, para um momento tão especial. Tem muita gente boa e preparada que vem mudando significativamente o cenário da amamentação no Brasil. Corram lá no site do Aleitamento Materno Solidário e no Grupo que está no Facebook e vocês encontrarão tudo sobre o assunto.

Alguma sugestão para a mãe aqui?
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