por uma infância livre de consumismo


Eu não vejo problema algum em meus filhos assistirem TV e tampouco me preocupo em ficar regulando horários. A televisão é uma forma fantástica de entretê-los e, com isso, eu ainda ganho mais tempo pra mim. Se assistem a algum programa inadequado pra idade deles, não me importo. Acho até bom, porque assim eles aprendem o que é a realidade, o fato de que nem tudo é bonitinho, enfim, ficam cientes do tipo de futuro que os espera.

Se existe muita propaganda infantil na TV, também não ligo. Meus filhos sabem muito bem separar a publicidade da mera informação, entendem perfeitamente a linguagem que lhes é dirigida e têm plena consciência do que podem ou não ter, do que podemos ou não comprar. E mesmo quando fazem escândalos quando querem alguma coisa, eu tiro de letra. Dou uns berros, lanço um castigo e tudo fica resolvido, pelo menos até a próxima cena.

Além disso, observo que tudo é pensado e adequado à idade deles. Comerciais lindos, com muita cor, músicas fofas, brinquedos educativos e muito criativos, um conjunto de novidades que fazem a alegria de qualquer criança ávida por diversão. Eu sou a primeira a me animar pra comprar e entrar na brincadeira, mesmo que esta dure apenas um minutinho. Sempre vale a pena ter uma coisinha nova pra brincar. Quem não gosta, né?

Eu também não me preocupo com o fato de sempre trazer um presentinho pra eles da rua, porque é uma forma de aplacar a culpa que carrego por estar fora de casa, longe deles, seja porque motivo for. Ver o sorriso deles diante de um brinquedo novo, não tem preço. Eles sabem que quando compro alguma coisa, é porque estou pensando neles. E esse negócio de criar o próprio brinquedo ou de se divertir na rua ou numa pracinha, exige disposição e tempo, coisas que eles sabem que não tenho. Mas eles compreendem perfeitamente a situação e até se mostram satisfeitos, porque, sabem que, no fundo, tem coisas na vida muito mais importantes do que isso. O que dizer do contentamento por se sentirem adultos e independentes? A exemplo da liberdade para fazerem suas próprias escolhas, sem gente por perto para regular, orientar ou simplesmente cuidar. É a mesma alegria das meninas quando usam um saltinho básico, acompanhado de uma maquiagem igual a da mamãe ou dos meninos/meninas que se orgulham de ter em casa as últimas novidades tecnológicas lançadas pelo mercado, sem que isso os afaste do convívio social.

Além do mais, eu nem preciso ligar a TV para que meus filhos tenham acesso às novidades que estão “bombando” por aí. Basta parar numa banca de revista ou entrar numa loja multimarcas para que eles saibam o que é ser moderno, descolado e identifiquem exatamente em quem (ou em quê) devem se inspirar. O mais importante é adotar um “modelo” que os direcione a um patamar mais alto, destacando-os da multidão, porque ser simples, generoso, verdadeiro (principalmente com o seu próprio “eu”) é cafona demais.


***

O cenário destacado acima está bem ao nosso lado, quando não está na nossa própria casa. Esse texto que escrevi bem demonstra o que se passa em inúmeras famílias que são completamente "cercadas", conscientemente ou não, pela publicidade dirigida ao público infantil, na forma como vem sendo utilizada de há muito no Brasil, onde a corda sempre arrebenta para o lado dos mais fracos.

É cômodo ficar alheio a tudo isso, e continuar levando a vida do jeito que está, achando tudo normal (e não é isso que esperam de nós?) ou com um sentimento de profunda impotência, no caso de ainda existir um mínimo de indignação. Mas para quem quer começar a refletir sobre o assunto, tentar fazer alguma coisa, e pra quem se preocupa com o futuro das crianças, o que inclui, vale repisar, nossos próprios filhos, tá mais do que na hora de abrir os olhos.

E o que é que está rolando?

Um debate muito saudável, produtivo e interessante a respeito da publicidade dirigida ao público infantil, por uma infância livre de consumismo.  Clique aqui e conheça esse movimento. Vale a pena refletir, aprender, compartilhar idéias e buscar suas próprias conclusões.


Outro dia volto pra contar como é a logística aqui em casa, quando se trata de consumismo e publicidade.


13 comentários:

  1. QUE SUSTO IVANA!!!!! Quem te conehce saber que o texto introdutório não tem nada a ver com vc. Quase infarto heheh.
    Ótimo debate. Vou levar para o blog da Arco-íris. Posso?

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  2. Menina.... eu também já estava ficando aflita, mas resolvi ler até o final! ahahajahaha
    Fico impressionada com os pais que deixam os filhos 'a Deus dará' em frente a TV, mas depois eu vejo pais que deixam os filhos soltos no banco da frente do carro, sem cadeira de trânsito, vejo pais que não tem nenhuma preocupação sobre a criação de seus filhos e penso... por que se preocupariam com a televisão, né?
    Infelizmente o povo brasileiro, em sua maioria, parece não estar muito aí pra o que está sendo entregue pra nós dentro da nossa casa, pros nossos filhos... Triste... muito triste.

    Quando tiver um tempo, passa no meu blog, voltei... ele tá lindo, de cara nova... www.mixmartins.com

    beijos...

    mix

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  3. ao ler a primeira frase, me assustei, mas bastaram algumas linhas para ver que era de outrem que vc estava falando e não da ivana e dos filhos delícias que eu conheço!
    obrigada pelo apoio!
    beijoca

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  4. Acho que nunca tinha entrado no seu blog, mas como o assunto me interessa, entrei e me assustei! Achei que era mesmo um caso "real", um depoimento de uma mãe vendida.
    Parabéns pela reflexão.

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  5. assim como a mari, juro que no começo achei que se tratava de você.

    mas depois as fichas caíram.

    parabéns pela excelente construção do texto, fluiu muito bem nas idéias e na coerência da proposta.

    ja escrevi tanto sobre esse assunto no Descobertas e no comentário do post de hoje da mari no viciados, que não me prolongarei por aqui.

    bjos

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  6. Oi amiga, sou nova por aqui e gostaria que vc visitasse o meu blog.
    www.gustavoegaby.blogspot.com. estou te seguindo.
    Bjinhos

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  7. Ivana
    Realmente um assunto muito interessante e polêmico... Ficamos aguardando para saber como vc lida com essa situação. Um abraço e bom dia

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  8. Adorei!!!
    Mediar o consumo infantil dá trabalho! É mais uma super tarefa de mães, pais e educadores, além de ser responsabilidade do Estado e das empresas. Afinal, somos todos cidadãos, né? Aqui um texto interessante do ponto de vista de uma professora: http://www.whatmommyneeds.com.br/blogs//2012/03/como-lidar-com-o-consumo-infantil

    Ela fala mais de como nós podemos lidar com esses apelos excessivos.

    Beijos

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  9. Aguardando mais dicas, esse debate é muito importante!

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  10. Olá, Ivana, muito massa sua abordagem, faz refletir até quem ñunca pensou nisso!

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  11. Oi Ivana,
    muito legal a sua abordagem. Eu aqui sempre faço elas pensarem se elas querem ou precisam. Sempre procuro reaprovetar o que temos, fazer brinquedos novos e pensar na quantidade de roupas x quantidade de passeios? Precisamos de tanta coisa assim? Tenho certeza de que não.
    Outro dia uma amiga estava reclamando que o armário dela era pequeno. Aí eu perguntei: Não é você que tem coisa demais? Se não tá cabendo no armário é porque tem mais do que necessário.
    beijos
    Chris
    http://inventandocomamamae.blogspot.com/

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  12. Excelente texto!
    Dói-me na alma, principalmente o argumento da "realidade é assim, mesmo". Então a criança tem de ficar ciente (mesmo que tenha so 4 anos de idade) de toda a violência, angústia, sexualidade exacerbada, ironias, piadas de mal-gosto, coreografias obcenas, só porque é a realidade?

    Aí, eu me pergunto: "realidade" de quem? Do mundo infantil é que não é! Essa é, antes, a realidade televisiva-consumista-podre do mundo de adultos - na maioria das vezes heróis fictícios de filmes onde o mocinho nunca é atingido por balas, mesmo que haja uma rajada de metralhadoras disparando em sua direção.

    Sabe, eu acho que alguns pais é que perderam a noção da realidade.

    Beijos

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