Eu
tinha esperança de que quando meus filhos crescessem, a ciumeira que sempre
ronda a casa dos que tem mais de um desapareceria como num passe de
mágica. Que nada, pura ilusão.
Tive
muito cuidado com essa questão desde que engravidei de Alice, minha segunda
filha. Chamava Carol pra participar de tudo: arrumar os sapatinhos, dobrar as
roupinhas, escolher as cores do quarto que dividiria com a irmã e sempre
conversava com ela sobre o bebezinho que chegaria, de como seria também amado e
acolhido em nossa família.
E
assim continuei depois que Alice nasceu. Pedia pra Carol me ajudar a dar banho
na irmã, pentear o cabelo dela, selecionar a roupinha que usaria para ir ao
médico e adorava quando Carol sentava do meu lado, enquanto amamentava.
Conversávamos muito e trocávamos muito carinho. Nunca pedi a ela que me
deixasse sozinha com a irmã pra que eu pudesse amamentar, que fosse se distrair
com outra coisa. Sempre temi que ela se sentisse rejeitada. Todas as minhas
ações eram voltadas para acolhê-la e acredito que foi isso que impediu uma
reação mais incisiva de Carol em relação à irmã. Ela sabia que tinha o meu amor
e que ele, em verdade, não estava dividido com o nascimento da irmã, mas sim,
havia se multiplicado.
Adotei
a mesma estratégia com João, antes mesmo dele nascer. Chamava as meninas pra me
ajudar, conversava sobre o crescimento dele na minha barriga, mostrava os
ultrassons, era uma alegria. Quando ele nasceu, ainda no hospital, dei pra cada
uma um kit de pintura e disse que era um presente de João. Elas adoraram!
E na volta pra casa, fiz questão que elas fossem me buscar no hospital com
Cinho. Voltei no carro com João no meu colo, Alice de um lado e Carol do outro.
A minha vontade era de não desgrudar dos três.
Lembro-me
da bagunça que as duas faziam a cada banho de João ou quando trocava uma
simples fralda de cocô. Eu nem ligava. Elas molhavam o banheiro todo,
espalhavam pomada, fraldas por tudo quando é canto, mas não conseguia reclamar
com as duas. A minha felicidade e satisfação de vê-las participando de tudo superavam
qualquer vontade de colocar as coisas no lugar. Não havia espaço para broncas,
a ideia era compartilhar os momentos, todos juntos.
E
dessa forma eu consegui espantar por um bom tempo aquele ciúme que sempre
aparece quando um novo filho nasce.
Mas
quando os filhos vão crescendo, o ciúme renasce, de uma forma diferente, porque
o que era bebezinho já entende que também precisa conquistar o seu espaço, embora os pais saibam que cada um tem seu lugar especial, bem guardadinho.
Até
João, com pouco mais de dois anos, já manifesta claramente o seu ciúme, briga
por seu lugar na nossa cama e se utiliza de artimanhas para chamar a minha
atenção. Chega a ser bem direto com as irmãs dizendo “mamãe é minha!!!”. Das
meninas eu ouço frases do tipo: “você só fica com Alice!” ou “você ontem ficou
com Carol, hoje é a minha vez!”.
Tem
dias em que os três reclamam ao mesmo tempo e fico com vontade de pegar minhas
trouxas e ir dormir “embaixo de um pé de pau”, como bem dizia minha mãe.
Mas
com toda a ciumeira, continuo insistindo na mesma tática: tento fazer todos
participarem de tudo comigo. Além disso, não gosto de comparar uns com os
outros, utilizando frases do tipo: “você não arrumou sua cama e Alice já
arrumou”, “Carol comeu tudo e você ainda está aí”, “você vive fazendo bagunça,
João, desarrumando o que as meninas fazem!”. Acho isso péssimo, e aqui, em
verdade, muito mais pelo comprometimento da autoestima de cada um e desrespeito à individualidade, do que pelo ciúme que esses tipos de comentários podem gerar.
Cada um tem seu tempo, suas necessidades e é isso que tento respeitar.
De
outro lado, também me reservo o direito de sair sozinha, com cada um,
separadamente, pra ter a oportunidade de entendê-los como pessoas completamente
diferentes. No fundo, não precisa ser tudo igual sempre, é preciso atentar para
as circunstâncias, para a personalidade de cada um, e, claro, isso não é fácil.
Ou
seja, o ciúme sempre vai existir. Bom mesmo é demonstrar, com simples atitudes,
e diariamente, que todos são amados e especiais, independentemente das
diferenças. Assim dá pra ir administrando, devagarinho e com muita paciência, a
eterna luta deles por um espaço maior em nossas vidas.



Ai, Ivana que delícia ler esse texto. Nem precisa dizer que por aqui é exatamente igual...
ResponderExcluirO ciúme só veio aparecer agora, depois do Otto crescido. Penso e faço como vc, exceto pelo dia do filho único, que preciso instituir de uma vez aqui em casa. Fiz isso poucas vezes e adoro. Porque é bom não só pra eles, mas pra gente tb.
Linda sua forma de lidar com os conflitos inevitáveis da vida.
Beijo grande
Oi, tudo bom?
ResponderExcluirPassando pra avisar que chegou cartinha pra você lá no Correio do Recanto das Mamães Blogueiras!
Passa lá pra pegar sua cartinha!
http://www.recantodasmamaesblogueiras.com/2012/04/correio-das-mamaes-blogueiras.html
Beijos
Oi Ivana!
ResponderExcluirO seu texto tá ótimo.
E finalizastes com chave de ouro: "Ou seja, o ciúme sempre vai existir. Bom mesmo é demonstrar, com simples atitudes, e diariamente, que todos são amados e especiais, independentemente das diferenças."
Querida, que Deus continue te dando sabedoria cada dia mais na educação dos teus filhos.
Beijos carinhosos de toda a Equipe do Recanto.
Ivana
ResponderExcluirAdorei o seu post !
Li com bastante atenção, pois tb estou prestes a lidar com esse "problema". Mesmo antes de engravidar, já me preocupava com isso. Como seria mais uma criança em casa, como o DI iria administrar isso na cabecinha dele, de ter que dividir tudo o que hoje é só dele. Já estamos começando esse processo de trazer o irmão para a rotina dele, mesmo o bebê ainda estando na barriga. Só peço que Deus tb me dê sabedoria para criar os meus 2 filhos de uma forma igual, com amor e de modo a fazê-los serem pessoas de bem. Um grande abraço e uma ótima semana pra vcs !
Ivana,
ResponderExcluirAdorei ler o post, e já ir me preparando para a ciumeira quando chegar o segundo, um dia... :)
Achei ótimo sua maneira de lidar, e fazer questão de conhecê-los em programas sozinhos, sua personalidade, seu jeito, e tratá-los assim como únicos, vou fazer igual!
Beijos e ótima semana lindona,
Ainda estou na função da mudança, tô feito doida aqui na minha mãe, competindo alguma horinha no computador do meu pai...rs
Que saudade de vir aqui!
ResponderExcluirMenina, Giulia e Maria tem 8 anos de diferença. Quando Maria nasceu a Giulia me ajudava com tudo tbm, como suas meninas. Maria era a boneca dela. Mas depois que Maria cresceu e naturalmente exige mais atenção que a Giulia, a mais velha começou a me dar problemas na escola. Brigas, conversinhas em horários inapropriados, enfim, foi o jeito que ela arranjou pra chamara a atenção. Quanto mais converso e dou atenção pra Giulia mais ela quer atenção, mais ela é teimosa. Ela só falta pedir pra mamar no peito e fazer xixi na calcinha...Tem dias que até fala como bebê.
É complicado, exige malabarismo, e cansa. Mas concordo contigo! Não devemos fazer diferente, aconteceu comigo e posso afirmar que não é agradável.
Beijos querida!
Natália Piassentini
www.minhapequenamaria.com
Ivana, este esu post é perfeito para mim e de como me preparar para a gravidez do segundinho.
ResponderExcluirBeijos
Gostei muito do texto..bj
ResponderExcluirSabe que essa é uma das coisas que eu penso bastante agora que estou grávida de novo. Quero que o Vítor se sinta acolhido. Esses dias até o levamos junto no ultrassom, mesmo sabendo que ele ainda é muito pititico e não entendeu bulhufas hehe. Mas acredito que isso é um processo, então já devemos começar a construir agora.
ResponderExcluirBeijos, Ananda.
http://projetodemae.wordpress.com/
Oi Ivana, te entendo bem e estou até prepranado um post sobre isso pois aqui em casa rolou novamente um estresse por causa dessa ciumeira e dessa disputa. Ô coisa para me tirar do sério. kkkk
ResponderExcluirbeijos
Chris
http://inentandocomamamae.blogspot.com/
Que bonito o seu post, Ivana!
ResponderExcluirTem que ter muita paciência mesmo né?! Estava lendo aqui e pensando o quanto é difícil ainda pra mim administrar certas coisas.
E por mais que eu faça muitas coisas que vc relatou que faz tb, o ciúme do Lucas com o Miguel me incomoda, e ele vem e vai, sabe, dias melhores, outros horríveis! Ele cobra com palavras e me parece tão injusto às vezes... mas enfim, faz parte né, e todos estamos crescendo...
Beijo grande pra vcs!
E uma ótima semana :)
Ju
Texto mravilhoso, Ivana! Penso e fço como vc e tenho conseguido administrar as coisas por aqui. Beijos!
ResponderExcluirQue lindo post, Ivana... Estou esperando meu segundo filho e me preocupo muito com a reação da mais velha, que hoje tem toda a minha atenção e é super grudada em mim. Sofro já por antecipação por saber que isso vai mudar e que ela pode sentir muito. Nada como se espelhar em quem tem mais experiência, não é?
ResponderExcluirBjos