o melhor post do mundo: o outro lado do desmame


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"Mãe, eu já nasci praticamente no seu peito. Lembro quando me seguraram, me enrolaram como um bichinho que se aquece no casulo e me colocaram pra mamar logo nos primeiros instantes de vida. Senti seu cheiro, sua emoção e não fiz esforço algum pra me alimentar da mais pura fonte de amor que um ser como eu, que acabava de conhecer o mundo, poderia desfrutar. Naquele momento, não poderia ter existido pra mim melhor forma de acolhimento. Senti-me abraçado, amado e restaurado  do turbilhão de emoções inconstantes que vivi até o momento em que olhei pra você.

Sei que na primeira noite no hospital não deixei você dormir direito. Acordei a cada dez minutos pra me alimentar. Não tive escolha, mãe, porque senti muita fome e o colostro ainda não era suficiente pra me saciar. Mas tive paciência. E você também, porque não se rendeu às sugestões de me darem um leite que eu não queria. Quando o leite chegou pra valer, já em casa, pudemos finalmente descansar. Eu já me alimentava melhor, conseguia dormir um pouco mais e você ganhou mais um tempinho pra relaxar.

Você facilitou tudo. Não reclamava de acordar de madrugada pra dar o meu leite, cuidava do peito para que eu não o machucasse sem querer e perto de voltar a  trabalhar você não deixou que o sono e o cansaço a impedissem de tirar o leite e guardar no congelador, mesmo que fosse de madrugada e sentindo dor nas mãos, porque esse foi o seu jeito de ordenhar, aquele que deu certo.

Quando comecei a experimentar outros sabores, outras texturas, nos idos dos meus seis meses, eu sei que você criou a expectativa de que eu não mais me interessaria pelo seu leite, aquele mesmo, mãe, ao qual fui apresentado ainda na sala onde você me viu pela primeira vez. Eu sei, eu sei. As minhas irmãs aceitaram outro leite, desgarraram-se mais cedo, decidiram pela “separação” muito antes de mim. Mas porque teria de ser assim comigo também? Estou lhe surpreendendo, hein?

Eu sei que você está cansada, porque sempre defendeu a livre demanda; que já tenho quase um ano e meio acordando pelo menos três vezes de madrugada pra mamar; que eu poderia colaborar um pouquinho mais com você e dormir uma noite inteira sem dar sequer uma gemidinha como já aconteceu umas duas vezes; sei que eu poderia ter aceitado facilmente todos aqueles tipos de leites diferentes que você me ofereceu e que eu detestei, deixando você estupefata.

Eu sei que você tem sido paciente e às vezes parece até acomodada com a situação, já exausta. Mas mãe, é que eu gosto quando você me pega no colo, quando você deixa eu me agarrar a você e me deliciar sem preocupação com o tempo e sem a obrigação de ter de me alimentar apenas porque preciso crescer ou engordar, mas porque aquele é o alimento de que mais gosto, porque adoro sentir seu corpo quentinho, o seu afago na minha cabeça e os beijos que você dá na minha mão... É o nosso momento, mãe, que eu não preciso dividir com ninguém.

Por tudo isso, mãe - e porque eu sei que você também transborda de amor por mim quando mergulho no seu peito e quando me olha com seu olhar sonolento - dá pra aguentar mais um pouquinho? Dá pra esperar eu decidir?"

Dilema de um filho que não desgruda do peito e de uma mãe que vai e volta na decisão pelo desmame.

Enquanto a decisão não aparece, a minha ou a dele, ficamos como está, com livre demanda, muitas noites interrompidas e muito amor (e leite) no peito.


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Postagem original aqui.



3 comentários:

  1. Oi, tudo bem?

    Sou da empresa de Comunicação FUNDAMENTO, e estou entrando em contato com você, pois queria fazer um convite. Vai acontecer um evento de Dettol direcionada ao público materno/paterno. Gostaria de saber algum contato seu, além do e-mail. Se mora em São Paulo e tem interesse
    Em participar. Não consegui encontrar nada na página.

    Desde já agradeço!

    Att,


    Nathália Nakaza
    Fundamento Digital
    nnakaza@fundamento.com.br

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  2. Ivana que coisa mais linda... Sinto tanta saudade de amamentar a Laura... Mas a decisão foi dela... Sem traumas ainda bem... :)

    Bjosssssss

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