papeando


O papo com Alice foi assim:
- mãe, por que eu não sei desenhar igual a Carol?
- Filha, você desenha muito bem pra sua idade! Nem mamãe sabe desenhar assim!
- Puxa, eu não sei desenhar nem um canguru!!

***
E outro dia:
- Mãe, você escreve pra mim o convite da minha festa do pijama?
- Escrevo,  filha. Diga aí o que é para eu escrever?
- Queridos amigos. Vou fazer a festa do pijama aqui em casa. BOA SORTE e espero vocês.

***
Conversando com Carol, que me pedia insistentemente para pegar algo pra ela, enquanto eu trabalhava:
- Filha, espere um pouco. Você precisa aprender a ter paciência.
- Eu odeio paciência. É uma coisa detestável.

***

Vendo João dormir na cadeirinha no carro, depois de chorar reclamando porque querida sair de lá, comento:
- ai, eu morro de pena!
Carol então diz:
- ai mãe, eu fico com pena de você com pena de João!

***
Carol encontra uma moeda no chão e diz:
- Mãe, olha o que encontrei, estou rica!
- Filha, deixa essa moeda aí, não é sua.
- Mãe, a “chave” não é roubada.

(ela quis dizer: "achado não é roubado")

***
Cinho explicando a Alice porque João não precisa ter ciúmes da mãe:
- Filha, mamãe é mãe de vocês três, mas é minha esposa também.
- Esposa não, pai, ela é sua “marida”!

***
Carol tá na fase “Cascão”, numa dificuldade enorme pra tomar banho! Algumas coisinhas que ela tem falado na hora fatídica:
- Por que eu não posso ficar um dia sem tomar banho????
- Eu ODEIO tomar banho!

***
Insistindo pra Carol ir pra cama dormir, ela comenta:
- Eu queria que nunca existisse noite. Eu queria que a gente nunca dormisse. Que só existisse diversão.
(Oi????)
***
Enquanto trabalhava, João pegava alguns papéis que estavam no chão, junto a minha cadeira. Pedi para que fosse para a sala, porque estava trabalhando. Nesse momento, a babá gritou ele lá da sala pra brincar. Ele respondeu:
- tô no “boelo”. (tô no banheiro...).

(o pequeno já sabe disfarçar direitinho, estão vendo?)

***
Sentada na cama de Carol, esperando ela dormir, eu disse:
- Filha, durma, mamãe também tá com muito sono, cansada...preciso dormir.
Dois minutos depois, ela choraminga:
- Ô mãe, vá dormir vá...tô com pena de você. Não fica com papai não, você precisa dormir, vá vá...

***
As crianças aqui nunca tomaram refrigerante. Nunca oferecemos e também nunca pediram. Ontem, Carol me vendo tomar uma Fanta, disse:
- Mãe, posso experimentar?
- Pode. Mas acho que você não vai gostar.
Depois de dar uma “bicadinha”, porque não teve nem coragem de tomar um gole, disse:
- Ui..dá arrepio na língua. Quero não.
(melhor assim...rs)

começos e recomeços

A vida da gente é assim, cheia de momentos que começam e não terminam e outros que se iniciam e tem data pra chegar ao fim, porque não há fórmula para deter o tempo. Bem que podiam inventar.

Com os filhos, esse ciclo fica bem visível. E dá uma sensação de saudade e nostalgia quando alguns momentos encontram o seu desfecho e você sabe que eles não mais voltarão.

Foi assim quando tive João. Lembro-me de que ainda na sala de parto, pensei que aquela era a derradeira experiência de parir, a última vez que a dor do parto me traria um filho nos braços. A última vez que amamentaria, que teria um bebê chorando em casa, que viveria a ansiedade de cuidar de um pequenino.

Há alguns dias chegou a cama dele. Doei todas as roupas de cama do antigo berço e comprei jogos novos para a cama maior. É o meu bebezinho que já é um menino de dois anos, falante e decidido e que sonha em cama de gente grande.

Esse ano ele vai pra escola e será a última vez que experimentarei a emoção de ver um filho iniciar sua caminhada escolar. O primeiro dia de aula, a reação ao ver outras crianças, o primeiro lanche coletivo, o contato com um mundo novo. E uma mãe babando, assistindo, emocionada, o filho caçula dar mais um passo no longo caminho que o espera.

Não vou ver mais mordedores espalhados pela casa, fraldas de pano estendidas no varal, mantinhas coloridas milimetricamente dobradas na cômoda, ou sapatinhos pequenininhos arrumados na gaveta, nem sentir mais o cheirinho de bebê tomando conta da casa.

Vou sentir saudade de cada um desses “últimos” momentos, e o que me conforta é saber que sempre que se encerra um ciclo, outro recomeça, com cara nova, com outras expectativas, com cores diferentes...

A vida é assim, cheia de começos e recomeços. A verdade é que cada etapa que vai, deixa uma saudade enorme, mas as que chegam são verdadeira luz pra quem consegue valorizar cada instante da vida.

Isso não é mais um devaneio de quem está com vontade de ter um quarto filho. Não.

É só uma reflexão pra aplacar a saudade.



Meu pequeno (não tão pequeno assim) jogando amêndoas no mar, de manhã bem cedo, na recente viagem que fizemos

e por falar em livros...

Claro que aproveitei a última viagem para retomar as minhas leituras. Como foi bom voltar à ativa!

Eu não tinha ouvido falar da Escola da Ponte, em Portugal, até minha cunhada me apresentar o livro A escola com que sempre sonhei sem imaginar que pudesse existir, de Rubem Alves. O livro traz relatos e crônicas a respeito da escola, do seu funcionamento e do projeto pedagógico.

Mais do que o próprio conteúdo, que descreve um modelo de escola muito especial e, pra mim, ideal, derrubando muitos conceitos tradicionais adotados pela maioria das escolas, aplicando, de fato, uma pedagogia que valoriza o aprendizado natural, coletivo e baseado nas experiências de vida – e nem por isso desorganizada e alheia aos resultados - o que me encantou foi a forma com o que Autor descreveu a sua impressão sobre o lugar. Ele conseguiu, utilizando-se de crônicas inteligentes, bem humoradas, e outras bem simples, sempre levado por uma profunda emoção, transmitir a verdadeira essência da escola, o porquê dela ser tão diferente, especial, e porque ela é a escola com que sempre sonhou.

Fiquei com vontade de ir correndo a Portugal conhecer a Escola da Ponte e mais encantada ainda com esse educador e psicanalista.





Outro livro que terminei lá foi Tanta vida, de Alejandro Palomas, que retrata o drama de cinco mulheres da mesma família em face de acontecimentos inesperados. Há um forte apelo psicológico, dramático, com diálogos densos. Adoro livros assim.





Li também Quem cuidará das crianças, do pediatra José Martins Filho, indicado por Paloma, que aborda questões importantíssimas envolvendo as relações familiares, dentre as quais destaco a necessidade da presença efetiva e carinhosa dos pais na educação dos filhos. Aborda ainda o consumismo exagerado e o problema da violência urbana. Muito bom pra quem busca uma oportunidade de se auto avaliar.




Agora estou lendo Marina, de Carlos Ruiz Zafón. Só ontem, na sala de espera da minha  oftalmologista, li metade. Texto envolvente, rápido. Tem o peso do terror, do mistério, e a leveza do amor e da amizade. É o que ficou evidente até aqui. Estou louca pra terminar e desde já recomendo.





Dá uma boa mistura, heim?
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